quinta-feira, 27 de julho de 2017
O Supremo Bem
Corrupção e Equívocos
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Elementos do Direito Natural
domingo, 9 de julho de 2017
Sentido e Sacrifício
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Cristianismo e Formação
terça-feira, 27 de junho de 2017
A Ideologia e o Silogismo Assassino
quarta-feira, 21 de junho de 2017
A Necessidade de um Delírio Novo
sábado, 4 de março de 2017
Cristo a Filosofia e a Ciência
sexta-feira, 3 de março de 2017
Teologia Anti-Teológica
Essa é a mesma dinâmica que inunda a ideia de que a fé é antagônica à religião, pois se anula toda espécie de religião em nome de uma ideia que está cravada na cabeça daquele que diz que fé é antagônica à religião - e ao fazer isso aquele que ouve essa maravilha de ideia cria uma observância fiel e estrita à ideia, ou seja, caindo no processo religioso que (ou pseudo-religioso) que ele dizia negar - haja "çabiência".
O Domínio do Espírito: Da Educação Moral ao Amor ao Próximo
Entre os seus maiores doutores e mestres, o cristianismo sempre foi compreendido como o caminho que pretende proporcionar uma vida no Espírito. E isso quer dizer de uma vez por todas: o domínio da mente sobre as paixões e a exaltação dos bem eternos acima de quaisquer bens terrestres. O ascetismo cristão é, por tanto, a busca por uma vida na mente, e por isso vale dizer: uma vida sensata, sábia, fundada na razão e nas leis eternas que uma vez possuídas tornam possível o abrir de olhos para o verdadeiro propósito da vida humana. Do contrário o próprio cristianismo não seria o que ele arroga ser: universal e atemporal.
A reforma e o seu irracionalismo buscou, em parte, destruir essa universalidade ao tentar sobrepor um sobrenaturalismo absoluto à fé, retirando-a dos campos da razão, ciência, das artes etc - proibindo, por assim dizer, de Cristo encarnar na cultura. Este foi o lamento de Erasmo: "onde quer que o luteranismo chegue as letras caem"; este foi resultado da ira de Lutero ao chamar de prostituta a própria Razão. O resultado político do luteranismo foi, por exemplo, a cisão entre a moral e a política - lembrando a doutrina dos dois governos de Lutero -, que deu para a política uma espécie de liberdade absoluta, sendo uma das primeiras vítimas desse pensamento o próprio Lutero, que em seu escrito "Da Autoridade Secular", reclama de um efeito da sua própria doutrina quando os príncipes confiscavam os seus escritos: dar liberdade absoluta aos estados seculares.
Não nos surpreende que o estado prussiano tenha confeccionado uma constituição que se orgulhava de fazer uma separação entre moral e direito - pois dada a atmosfera religiosa e intelectual da Alemanha, o que a razão e a religião poderia dizer ao governo, quando este se tornasse absolutamente autônomo, livre de todas as peias morais? Ou outra: se a própria razão era incapaz de captar as leis eternas, em que a razão do legislador poderia se apoiar para conhecer tanto o bem quanto o mal? Não nego que o puritanismo luterano tenha fundado uma moral rígida entre os nórdicos. A questão foi justamente que Lutero legou uma crítica da razão que se levada a sério, em sérias circunstâncias, torna a defesa contra políticas irracionais algo substancialmente impossível. E um triste capítulo da história da Alemanha - que possui sim uma história gigantesca e venerável - não nos deixa enganados sobre isso.
No livro "A Abolição do Homem" de C. S. Lewis, há uma defesa fundamental da Razão Natural que não é de forma alguma negligenciável, perfazendo as condições para a compreensão e a defesa da fé, ou a preambula fidei, tal como se encontra na própria estrutura do livro "Cristianismo Puro e Simples", onde uma análise da razão natural capaz de compreender o bem e o mal constitui o ponto de partida para provar a mensagem universal do cristianismo. E aqui é importante lembrar que Lewis era um fiel da Igreja Anglicana, um ramo da Reforma que não aceitou o divórcio entre razão e a fé, dando continuidade à grande linhagem da filosofia espiritualista cristã que, grosso modo, dominou soberana em toda a história do cristianismo desde os Padres da Igreja até à Idade Média, assim como na Idade Moderna.
Mas onde desejo chegar? A minha busca é por colocar em evidência o matrimônio feliz entre a razão e a fé, sendo que a única possibilidade de uma compreensão profunda e relevante do cristianismo se encontra nessa união feliz, assim como a possibilidade de entendimento próprio do cristianismo e a razão de sua mensagem ser o que é, ou seja, universal. Da mesma forma, a possibilidade de uma educação cristã passa totalmente pelo crivo do poder da razão que, submetida à fé, é capaz de captar a sua essência e transmitir em palavras inteligíveis o que é um cristianismo.
Dizia no início do texto que o cristianismo é uma vida na mente, e que a vida na mente é aquele que, compreendendo, por meio da graça, as Leis de Deus, busca se submeter a estas Leis, sendo esta VIDA EM DEUS o bem mais precioso que um homem pode querer em vida, um bem que, ao seu possuído, torna todos os outros bens ou negligenciáveis ou submissos a este bem supremo que é a posse da vida em Deus. Nisso temos em mente também a ordenação da vida em meio ao caos do mundo. Trata-se daquele domínio puritano da alma que não permite ao homem se tornar escravo das coisas desta vida, mas senhor das mesmas. Nesse sentido não é o sexo, o dinheiro, o poder, a glória, o desejo de fama ou o estômago que nos dominam. Na verdade dominamos, por meio do auto controle, todas essas coisas. Pois é o pecado, a desordem na alma, que traz a desordem no mundo até o seu fim, que é a morte.
Por outro lado é a vida sob o domínio da mente ou do espírito que traz ao homem a possibilidade do amor, já que se domino os meus desejos, repartir o que tenho com o meu próximo é um ato de soberania que exercemos sobre nós mesmos. Por isso podemos dizer que só o homem espiritual, que entende a efemeridade do mundo e a eternidade de Deus, pode desfrutar verdadeiramente daquilo que possui, pois dar seus bens ao próximo é a característica de um homem que realmente possui e não é possuído pelo que tem. E somente aquele que possui seus bens pode dar a eles o destino que deseja, pois ao abrir mão do que se possui para ajudar a quem precisa, declaramos a soberania da nossa vontade para livremente, sem dor ou peso no coração, destinar o que é nosso a qualquer necessitado. É justamente aqui que Jesus Cristo se mostra verdadeiro, pois amar - que é a razão do próprio cristianismo - não é uma virtude possível ao avarento, mas sim para aqueles que se desprenderam dos pesos, do egoísmo e da ganância desta vida. Por isso, virar as costas para o mundo é a única possibilidade de amar a Deus e ao próximo, pois com isso conferimos ao mundo o seu devida valor na hierarquia dos valores.
E quem pode, com a sua própria razão, atribuir um valor diferente a tudo o que dizemos? A difusão da fé cria toda uma rede de costumes os quais são a causas de muitas leis e das instituições em nosso mundo ocidental. Na literatura, nas artes, nas ciências e por todos os lados podemos enxergar um vestígio de Cristo, e é causando essa ordem moral no mundo que podemos ver, também, um bem concreto desta fé no mundo. Mas o caos é sempre presente onde faltam a razão e a irradiação dos valores, dos quais participamos e não apenas conhecemos. Nunca é demais enfatizar aquilo que é óbvio: seja a razão prática do cristianismo, seja razão teórica no casamento entre a fé e a filosofia, a ordenação da alma do homem e o conhecimento desta ordem conferiram em muito as razões fundamentais das relações humanas presentes hoje; e é por isso mesmo que ensinando aos homens o domínio do espírito sobre a vida é que podemos espalhar valores que nada mais são do que o amor ao próximo, pois a educação cristã é o próprio amor ao próximo.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
A Destruição Nominalista; Ou: A Ruína da Inteligência e a Queda dos Universais
A questão hoje é materializada na ideologia de gênero, segundo a qual todos nascem como uma tábula rasa e vão sendo construídos ao longo da existência, até culminar na cristalização de um particular absoluto impassível de generalização e identidade com algo fora dele. O que era, no princípio, uma generalidade indiscernível, ou uma pasta amorfa, agora é um destaque absoluto desta mesma massa. Mas é óbvio que isso é um raciocínio falacioso em termos lógicos, pois não existem absolutos distintos que não sejam Um e o mesmo Absoluto. Mas só se tem a percepção disso se temos em vista os Universais que são como que o laço e o princípio de identidade subjacente a todos os particulares determinados, por estarem imersos e dissolvidos no mesmo Universo, ou Deus, participando, por isso, em seu Ser.
Mas por mais que analisemos esta questão, por hora, do ponto de vista da filosofia, é necessário compreender também que o ser humano possui uma capacidade de imaginação infinita. E se se concebe de um modo imaginativo, segundo uma montagem mental, um constructo que agrega a si de maneira criativa de todas algumas formas possíveis em uma única personalidade, se tornará evidente também que no nível jurídico, qualquer lei que abarque uma determinada personalidade assim será algo impossível dado o grau de informações específicas, já que não há duas espécies de um gênero humano, mas infinitas. Não é possível que o Estado abarque e satisfaça todas as montagens mentais, já que elas entrarão em conflito umas com as outras – e com o próprio Estado de forma irreconciliável também -, sedo alguns conflitos reconciliáveis e outros conflitos irreconciliáveis, exigindo, por assim dizer, a extinção de um ou de outra personalidade, pois, por exemplo: é impossível a absorção de uma determinada particularização de alguém que concebe e põe em prática um constructo mental de demanda a extinção do Estado e da Humanidade, pois um direito que permite isso acabará com toda a possibilidade de sociedade humana. Não é possível, por tanto, descartado o princípio da identidade, uma particularização radical sem que essa particularização não entre em conflito com todas as outras particularizações radicais - veremos, no fundo, o conflito mais radical de todos contra todos: o temível advento do caos primordial.
Já é possível perceber a partir daqui que sem um princípio de identidade as relações entre as pessoas são impossíveis. Mas também é impossível a absorção do Todo em um único e abstrato Eu, negando a particularidade de outros eus. As pessoas são particulares determinados que, em sua determinação biológica ou histórica ainda assim guardam um princípio de identidade que as unifica - tal como se encontra em nossa gramática - como "Homens", ou a "Humanidade". E é aqui que ideologia de gênero - que é o resultado extremo da quebra da percepção do real - chega a esses dois radicais: a particularização radical ou a generalização radical. Todas essas coisas destroem a inteligência, e atacam todas as estruturas da manifestação da inteligência nas suas mais diversas frentes: no direito, na teologia, na filosofia e na ciência. Mas tudo isso é o fruto maduro da filosofia nominalista que separando o geral do específico – tal como presente na escolástica medieval contra qual ela se rebelou - acaba por destruir a estrutura da Razão que sustenta ambos e que é o fundamento inteligível do Universo como um todo.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
O que ao Pobre Importa; Ou: O Registro de um Estranho Esquecimento
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Aos "Iluminados"
Há fundamentalismos por outros meios. Por exemplo: se os liberais pensam que por se aterem a uma crítica excessiva aos "apegos fanáticos" daqueles que não arredam seus pés calejados de alguns trejeitos tradicionalistas que esses julgam ser algo "opressor" para outros grupos, nem por isso esses liberais estão longe do tão odiento fanatismo que dizem sempre estar no outro e nunca neles mesmos.
A militância intransigente e chulé dos "ilustrados" que vivem metendo o nariz na vida alheia, desejando prescrever-lhes os modos "corretos", "justos" e em "conformidade com a sã doutrina do pensamento racional", afim de que estes abandonem os maus hábitos "opressores" - como só aquela estranha mistura entre um Aiatolá e um surfista ocidental descamisado pode fazer -, lenhando e buscando, noite e dia, reformar a mente do seu próximo com uma nova metafísica, é algo muito mais fundamentalista do que o jeito de ser daqueles tradicionais em que eles acusam o fanatismo.
Afinal de contas: reformadores sempre os tereis convosco - e principalmente aqueles que tratam seus semelhantes como verdugos, tal como aqueles que, entre nós, estão totalmente convencidos da missão redentora e messiânica de trazer novas luzes em um mundo que, antes deles, estava imerso em densas trevas. - e ai daqueles que não concordarem com eles: o inferno moral é o único destino.








