sábado, 14 de maio de 2016
AOS RELATIVISTAS - que assim o são até o dia do pagamento
quarta-feira, 27 de abril de 2016
O Bode Expiatório
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Insatisfeitos no Paraíso
Não que em nosso velho mundo não devamos querer melhoras, mas o que penso sobre o não contentamento humano é que o próprio homem pode ser alguém insatisfeito no paraíso, e que ao sair por aí desejando criar um mundo melhor ele acaba por implodir aquele velho, familiar e monótono mundo, onde tudo é tão do tamanho do coração humano, perdendo-o para todo o sempre.
É justamente este o resultado por se fazer do lugar-comum da mudança um adjetivo positivo. Qualificamos, como metafísicos modernos, a mudança como uma coisa "boa-em-si", fazendo do acidente uma substância, não porque o que permanece o mesmo seja ruim, mas porque insatisfeitos conosco mesmos.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Karl Kraus, a Corrupção da Língua e a Segunda Realidade
Religião e Política: Imposturas
O que há de interessante nisso é que, para ele, foi a perda da realidade, montada na crista da perda vigor espiritual e dos valores eternos, que, no pós-primeira guerra possibilitou a ascensão do nazismo, o que incluía o perda da realidade por parte das Igrejas, tanto católicas quanto protestantes, sendo a opinião pública deformada por intelectuais, educadores, políticos e jornalistas.
No entanto, quando você vê o seu coleguinha mugir coisas como: "devemos separar política de religião", basta refletir o seguinte: quais são os fundamentos sobre as suas concepções sobre o bem e o mal? Fora da realidade do espírito - que é o assunto da religião - não há como saber o que é bom e o que é mal. Sem isso não há ética, e, por isso, não pode haver política, apenas catástrofe. Filosoficamente não há outro caminho: ou é niilismo (como retratado no livro "Os Demônios" de Dostoiévski) ou é espiritualismo.De uma longa tradição do pensamento espiritualista que vai dos tempos imemoriais, passado pelos profetas de Israel, Platão, Aristóteles, os estoicos, os filósofos e teólogos cristãos, a Idade Média, o Iluminismo Britânico e Americano, Leibniz, Schelling, Hegel, os impérios teocráticos europeus, até uma corrente conservadora moderna em política, a ideia da interpenetração entre religião e política sempre esteve presente - e, considerando o homem como indivíduo que caminha sob juízos acerca da realidade, não há como ser de outro modo.
Mas os ilumininhos, baseados em um provincianismo intelectual arcaico - que remonta à catástrofe da revolução francesa - querem provar que a interpenetração entre religião e política é o mal do mundo. Valha-me Deus!!!
sexta-feira, 15 de abril de 2016
A Ordem
domingo, 10 de abril de 2016
A Percepção que Salva Segundo Aleksandr Solzhenitsy
Acima de um tipo de percepção viciada no mundo sensível, aquela que tende a julgar o sucesso da vida apenas a partir do horizonte do sucesso material, sem o sentido espiritual que mostra aquilo que ela realmente é, está aquela que nos confere a possibilidade de ver uma esperança imortal que paira, invencível, sobre todas as coisas. Esta visão é aquela que compreende a instrução divina na história, ou que compreende a ação divina no Mundo, significando cada evento nele. Que Deus está na história - e totalmente nela - é algo que não podem ser negado por aqueles que acreditam que o Verbo se tonou carne (Jo 1). É somente isso que pode significar a nossa vida e lhe dar o significado adequado segundo o qual uma finalidade para o ser humano pode ser discernida. É isso que Solzhenitsy nos encoraja a compreender: Deus no Mundo e Deus em nós - tal como ele diz neste trecho:
"A nossa visão não consiste na busca do sucesso material, mas na busca de um crescimento espiritual digno. Toda nossa existência terrena é mais do que um estágio transitório do movimento em direção a uma realidade superior, e não podemos tropeçar ou cair, nem ficar presos, inutilmente, em um degrau da escada... As leis da física e da fisiologia nunca revelarão o modo incontestável como o Criador, constantemente, dia após dia, participa da vida de cada um de nós, concedendo-nos, sem falhar, o vigor da existência; quando tal auxílio nos deixa, morremos. Na vida de todo o nosso planeta, o Espírito Divino se movem com a mesma força: é isso que devemos perceber neste nosso terrível momento de escuridão."
sexta-feira, 1 de abril de 2016
A Guerra Contra a Razão e a Abolição do Homem
A questão que se impõe em nosso século sobre a objetividade e subjetividade, sobre a capacidade humana de apreensão da realidade ainda faz muito barulho, porque é justamente esta questão que significa a nossa cultura como ela é.
É comum ouvirmos nos centros mais “esclarecidos” e em cursos de ciências humanas que a verdade é subjetiva, e que as considerações sobre certo e de errado variam de pessoa para pessoa e de cultura para cultura. Um olhar superficial ou um estudo de religião e cultura comparadas poderá até sugerir que a verdade, de fato, é algo relativo e subjetivo – ironicamente tal vez até a única verdade absoluta admitida pelos relativistas. Mas este é apenas um aspecto do olhar sobre a questão, pois o que basicamente une as culturas é muito maior do que aquilo que as separa. Já Freud apontou que o tabu do incesto e estruturas de parentesco eram regras universais e que fora disso as relações humanas seriam impossíveis. O mesmo vale para as regras de não matar, não roubar, cuja compreensão das razões destas estruturas pode ser obtida por uma criança de cinco anos, fora outros fatores ignorados pela nossa camada “bem pensante”.
Ideias tem consequências, e muito do pluralismo de um lado só servem hoje para motivos políticos bem fundados, sendo acatados para legitimar abortos, casamentos dos mais diversos tipos, liberação das drogas, destruição das religiões tradicionais, avanço contra o código penal etc. A ideia de fazer um nivelamento por baixo de todas as culturas, como se cada qual fosse boa a seu modo, esconde, na verdade, um niilismo autodestrutivo que desemboca na relativização de todos os valores, fazendo guerra à razão.
Mas contra o quê
guerreiam quando se avança contra a razão? Quais as consequências de
deslegitimar a capacidade humana de captação da realidade de maneira objetiva?
O que perde a humanidade quando se descredencia a ideia de verdade, tornando
todos os dados do conhecimento apenas o resultado de uma atividade hermenêutica
que fica restrita a confabulações internas sem nenhum valor objetivo?
Foi pensado
justamente nessas questões que o escritor, teólogo, apologista cristão e
filósofo C. S. Lewis, o famoso escritor das “Crônicas de Nárnia”, pensou quando
escreveu seu livro “Abolição do Homem”. Neste livro que ele analisou algumas
consequências de considerar as experiências humanas como que destituídas de
valor objetivo. A incapacidade de fazer juízos de valor, dizia ele, a abolição
da consciência e a produção de uma cultura hedonista cuja felicidade se daria
na conquista de mais prazeres e menos dores, retiraria o componente humano
fundamental do ser humano, que era a razão.
Logo no início do
livro Lewis analisa o pressuposto básico de um livro de educação distribuído
para as últimas séries, que afirmava que os julgamentos objetivos da realidade
nada mais são do que sentimentos individuais sobre a realidade. Mas pensemos
bem sobre as implicações desta afirmação tomando como exemplo a segunda Guerra
Mundial: por acaso quando reconhecemos como brutais, anti-humanos ou
monstruosos os fatos ocorridos e Aschwitz, fazemos isso com base em juízos de
valor objetivos, podendo reconhecer aí uma divisa clara sobre o bem e o mal, ou
fazemos apenas com base em julgamentos meramente sentimentais e subjetivos,
condicionados pela nossa cultura ou visão de mundo e valores que nos foram
inculcados pelos nossos pais? É preciso ter uma visão clara de que ideias tem
consequências, e consequências tais que muito de nossa cultura pode ser
considerada ou um mero acúmulo de material que pode ser jogado na lata do lixo
na próxima esquina, por não possuir uma raiz que, atravessando a redoma da
subjetividade, finca o pé na mais pura realidade, ou se, como dizia o filósofo
alemão Friedrich W. J. von Schelling, contém estruturas que manifestam em si o
Absoluto.
A própria nomeação
da aplicação natural da razão é chamada de especulação, que nada mais é do que
a consideração de que a mente é apenas um espelho da realidade, pois REFLETE
sobre a mesma, não criando verdades sobre o que quer que for. A razão natural
age na compreensão sobre a proporcionalidade entre os fatos e os juízos, e uma
vez abolido isso o homem não tem base para ação alguma, pois, nisso, toda a
ação perde a legitimidade. É próprio do senso-comum considerar ações
desproporcionais ou descoladas da realidade de maneira brutal como irracionais.
Não se trata apenas de mero critério subjetivo. E há até mesmo um jurista
brasileiro por nome de Amilton Bueno, leitor de Nietzsche, que considera o
tribunal penal desumano, por conceber o juízo algo impossível ao homem. Como
remédio para a situação ele simplesmente pede a abolição do código penal – mas,
para ele, apenas esse juízo é correto.
Não é demais
constatar que o século XX foi o século da irracionalidade política. Mas para
esse tipo de pensamento, não poderíamos fazer juízos de valor entre a
democracia inglesa e a ditadura nazista, ou entre a democracia americana e a
ditadura norte-coreana – pois, afinal, todos são bons ao seu modo. É um
descalabro que na esteira de todo o pensamento relativista venha não a
libertação do homem, mas a sua supressão. O que seria de um homem que sofrendo
debaixo das botas de um ditador, faz um juízo de que o que sofre é algo
anti-humano, contranatural, sentido que a situação na qual vive não é justa
para com a natureza humana? Poderíamos considerar um escravo que sofre debaixo
de varadas como alguém que faz juízos de valor cuja jurisdição não ultrapassa a
sua subjetividade, tendo o verdugo, na mesma situação, a sua própria verdade,
sem um terceiro que faça juízo entre uma coisa e outra? O que seria de um mundo
sem a instância da realidade objetiva a mediar as relações humanas? Um
terceiro. Uma metafísica, por assim dizer?
O passo seguinte à
abolição de todo o juízo é o estabelecimento final de toda animalidade e
brutalidade possíveis, onde nem o poder da argumentação, nem os juízos de
valor, nem o eloquente clamor de um oprimido debaixo do sofrimento possuem
valor algum. Nos veríamos imersos em uma configuração social bárbara, a mão de
todos contra todos, a bestialidade desenfreada, impossível de ser refreada pela
instância da razão, já que, desimpedida pela consideração acerca do certo e do
errado, nada mais pode ser errado.
Onde podemos chegar
com o culto do relativismo e da irracionalidade? Pelo que se sabe, a guerra
contra a razão não é meramente uma guerra contra a razão, e nem mesmo a guerra
em favor da libertação do homem e dos costumes que o prendem, mas basicamente
uma luta contra o homem; uma busca por poder que esteja livre de todos os
constrangimentos e de toda a coerção externa assim como interna. Enfim,
veríamos estabelecia e legitimada a luta que, em nome da libertação do homem,
só pode chegar à abolição do homem.
quarta-feira, 30 de março de 2016
O Mundo Eterno
Demolição Foucautiana
É óbvio que são formas - e benignas - de sufocar a "justiça popular", e é impensável que as instituições não sufoquem a justiça popular, fazendo com que haja - para dar voz ao estadista inglês, crítico da revolução "popular" da França, Edmund Burke - expiação abundante, remissões e perdão.
Entendam: por mais más que sejam nossas instituições, é incrivelmente pior a ausência delas. Ao dar eco às vozes revolucionárias que gritam "abaixo ao sistema", "abaixo à toda a classe política" o perigo que daí surge é justamente trocar um sistema difícil por um monstro infinitamente mais destrutivo e incontrolável - e a história humana é pródiga em mostrar o quão deletério é esfumar todo o sistema que temos em nome do "bem". Quem pensa com prudência prefere os demônios que conhece àqueles que ele não conhece.
Foucaut, como disse em um texto passado, preferiu os demônios desconhecidos. A a conclusão que retirou desta constatação acima é justamente a de que as "instituições burguesas" atrapalhavam o livre curso da justiça e deveriam ser mandas para o ar. A revolução iraniana que ele apoiava o fez, e não muito tempo depois gays - como ele - começaram a aparecer pendurados em guindastes. Ora, mandar tudo para os ares? E colocar o quê em seu lugar? Por assim dizer, melhor um Temer do que um vácuo de incerteza, pois por possuir um CPF, dentro de um Estado reconhecível, ele pode ser criminalizado e deve se fez algo errado. E quem luta para que não haja nada disso, não nos faz crer que o que não temos é melhor do que aquilo que temos? Não nos manda o sentimento natural, que ama, quer proteger e conservar o que ama, aderir à tese contrária?
Já dizia Platão que no político a maior das virtudes era a prudência. Isso tem um aparo na razão porque não se pode destruir tudo sem saber o que disso virá, já que o desconhecido é o incontrolável, o espaço da perdição um universo de nada a quem necessita, no mínimo, de um horizonte para ver. Mas muitos, nestes atos - já que imprudentemente consideram de maneira entusiasmada a "mudança" como fim em si mesmo -, prenhes de sede de justiça, de sede infinita pelo "bem perfeito", destruindo as bases supostamente malignas nas quais apoiamos nossos pés, pensam, como solução, nos firmar na escuridão do abismo, dizendo quem nos concedem a verdadeira liberdade.
A revolução francesa pensava em adquirir homens perfeitos mediante a abolição do "sistema" que - diziam - tornava-os imperfeitos, e quando percebeu que não os tinha, cabeças começaram a rolar. Sendo assim, é preciso que façamos, com seriedade de coração, com desejo de mudança, reconciliação e expiação abundantes a seguinte pergunta: o que da destruição das instituições políticas, jurídicas e religiosas, em nome do bem, se seguirá?
sábado, 26 de março de 2016
Abolição da Liberdade
sexta-feira, 25 de março de 2016
Dilma e a Vontade de Pontência
Mas vamos para os possíveis resultados práticos, sendo a materialização exemplar do engodo realmente esta: quando vemos Dilma Rousseff dizendo de maneira monomaníaca que o impeachment é golpe, ela passa como um rolo compressor sobre a história do país, das leis, do STF, da OAB, e das milhares de consciências que afirmam com uma evidência solar e visível aos olhos de qualquer zé-mané que o impeachment é uma instituição válida - fazendo isso com o intuito de que, livre das amarras "moralistas" das leis que grudam na plebe, ela possa respirar livremente o ar fresco na solidão das montanhas.
Mas o que importa, se no universo nietzscheano o que vale é, para quem nele atua, a contrapelo dos fatos, a vontade de potência que faz validar os valores, criando-os, e não se submetendo a nenhum deles? O que Dilma busca fazer, na verdade, é operar uma verdadeira transmutação de todos os valores afim de validar a sua "soberaníssima" vontade para se safar da perseguição dos fatos gerados em sua própria história .
Sem o saber, Dilma é a encarnação da "ética" "libertadora" do maluco alemão. E nem precisa saber disso, pois somente alguém dotado de uma cabeça de jerico pode simplificar de maneira tão acachapante as leis e o nosso velho mundo.
quarta-feira, 23 de março de 2016
Ideologia e Corrupção
Russell Kirk afirmou que a ideologia era a corrupção do dogma e dos símbolos de transcendência, pois ela propunha soluções eternas para o nosso hoje. No entanto, dizia ele, ela age como que ao contrário disso, pois na sua corrida pela salvação terrena ela abole justamente os valores que protegem a nossa frágil vida:
"A ideologia é uma religião invertida, negando a doutrina cristã de
salvação pela graça, após a morte, e pondo em seu lugar a salvação coletiva, aqui na terra, por meio da revolução e da ação
violenta [assim como de crimes também]. A ideologia herda o fanatismo que,
algumas vezes, afetou a fé religiosa e aplica essa crença intolerante e
preocupações seculares" (KIRK, Política da Prudência. p. 95) - e
arrematando com Voegeling: "A ideologia é a existência em rebelião contra
Deus e o homem. É a violação do primeiro e do décimo mandamentos [pois afirmam
os ideólogos que podemos cobiçar coisas alheias em nome do "bem", ou
mesmo ROUBÁ-LAS e DESTRUÍ-LAS para um fim "justo" e desconsiderar
valores], se quisermos empregar a linguagem da ordem israelita; é a 'nosos', a
doença do espírito, para empregar a linguagem de Ésquio e Platão."
(VOEGELING, Ordem e História, Vol. I, p. 32).
O que a cima vai escrito nada mais é do que aquilo que qualquer um que vá ao mercado consegue compreender, ou seja, que não é possível estabelecer algo justo quando vamos em uma prateleira e vemos um peço, e acabamos pagando outro no caixa, pois ultrapassamos a lei do compromisso – ou a Lei Natural da Razão -, que aponta limites justos nos quais é possível estabelecer uma determinada igualdade em nossas negociações com outras pessoas, impedindo a fraude, ou uma vantagem indevida, ainda que tendo feito isso em nome do “bem”.
Por isso não é possível que possamos arbitrariamente destruir as regras de convívio, ou mesmo não é possível que subvertamos leis às quais nos encontramos sujeitos como homens e mulheres – mesmo que por um pequeno momento –, pensando que com isso podemos gerar um “bem coletivo”, porque é justamente aqui que isso pode se voltar contra nós, criando o perverso costume onde cada qual, ao seu modo, suspender uma regra comum em nome daquilo que ele supostamente ache bom.
Não é estranho que na história promessas de redenção cujo método que
pavimentava o caminho para o “paraíso terrestre” era justamente composto de
ideias de libertação dos costumes, das tradições, dos formalismos, dos
tribunais, da noção de bem e mal, dos códigos sociais, da moral, da religião,
da “dominação opressora” dos pais e mães, da “família”, dos compromissos
firmados criaram justamente uma situação ou regime político infinitamente mais
opressores do que aqueles dos quais eles prometiam livrar.
Isso não é apenas uma questão de palavras ou de raciocínio, mas de
história humana, demasiadamente humana.












